terça-feira, 16 de novembro de 2010

Arcadismo

Período literário brasileiro do século XVII, cujas características se opunham ao Barroco, ou seja, prezava por uma literatura mais simples frente ao mesmo. Suas principais características são: o bucolismo, culto à natureza e a simplicidade.
Seus principais nomes são: Cláudio Manuel da Costa (Obras ; Vila Rica) ; Tomás Antônio Gonzaga (Marília de Dirceu; Cartas Chilenas); Basílio da Gama (O Uruguai)

Marília de Dirceu 
IV

Tu não verás, Marília, cem cativos


tirarem o cascalho e a rica terra,

ou dos cercos dos rios caudalosos,

ou da minada serra.

Não verás separar ao hábil negro

do pesado esmeril a grossa areia,

e já brilharem os granetes de oiro

no fundo da batéia.

Não verás derrubar os virgens matos,

queimar as capoeiras inda novas,

servir de adubo à terra a fértil cinza,

lançar os grãos nas covas.

Não verás enrolar negros pacotes

das secas folhas do cheiroso fumo;

nem espremer entre as dentadas rodas

da doce cana o sumo


Tomás Antônio Gonzaga

Barroco

Período literário brasileiro presente no século XVII, cujas principais características foram: antropocentrismo x teocentrismo, escrita detalhada, ideias antagônicas, cultismo e conceptismo.
Seus principais autores foram: Gregório de Mattos e Padre Antônico Vieira.

Gregório de Matos

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.

Matriz Nossa Senhora do Pilar - Ouro Preto - Barroco



Quinhentismo

Período literário brasileiro, presente no século XVI, que tem como marca as descrições da "terra descoberta".
Seus principais autores foram: José de Anchieta e Pero Vaz Caminha


Carta de Achamento do Brasil

Senhor,

Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que - para o bem contar e falar -, o saiba fazer pior que todos.

Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para alindar nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Da mafinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo.

A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi, segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e as nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã Canária, onde andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escobar, piloto.

Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!

E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril, estando da dita ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E, quarta feira seguinte, pela manhã topamos aves a que chamam furabuchos.

Quarta-feira, 22 de abril: Neste dia, a horas de vésperas, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele: e de terra chá, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome: O MONTE PASCOAL e à terra: a TERRA DA VERA CRUZ.

(...)

Pero Vaz Caminha

Combinações e Magia

Ainda que não sejam valorizadas, as línguas ainda têm um papel importantíssimo para a cultura de cada povo. Nossos valores, nossas ideias, nossa personalidade, não seria nada sem o auxílio do código, da linguagem. Como se expressar ? Como o interlocutor nos entenderá? Para isso, fazemos uso das letras, que juntas formam algo inimaginável, às vezes, mágico. O poder das letras, embasa um não só a comunicação, mas um sentimento de nação em cada povo.
Pode até parecer confuso, mas quando alguém tem sua própria língua, esta o transforma, o faz querer usá-la, senti-la. Além disso, devemos demonstrar a euforia ao ler, sim, ao ler algo que você mesmo está decodificando... Parte, por parte. Juntando letras, formando síbalas, formando palavras, formando orações, formando frases, formando parágrafos, formando textos, formando VOCÊ! Sim, você que está lendo isso e ao mesmo tempo está fazendo magia, sentindo a vibração de ENTENDER!
Letras, histórias, o que seria das personalidades sem elas?